VENTO EM GUERRA OU O COCHILO INTERROMPIDO
Domingo à tarde, promessa de
noite boa. Não me prometo nada, além de cochilo,
ventilador e janela escancarada. Cochilo de domingo em tarde de
verão na beira do mar tem cheiro de paraíso.
O ventilador confronta a cortina; há fúria de tempestade. É uma batalha a decidir quem deve moldar e me entregar vento na cara. A janela vence; dá aos dois tecidos em sua fronte a calma para bailar sem agrestia, com a suavidade de quem massageia o nada. O que é isso aqui em que ponho a mão? É nada puro. Não toco mais do que minhas mãos mesmas, e trago entre os dedos e a palma a substância indigesta dos medos e plenitudes.
A cortina se excita. Num branco de paz, mas fazendo guerra com a porta do banheiro (que agora me guia o vento que vem do basculhante). A cortina infla como balão à gás, ou como a saia da mãe da gente quando o vento surpreende –– lugar bom de entrar embaixo quando se é miúdo, quando o cachorro é um cavalo, e o degrau é precipício. Fecho a porta. A cortina dá trégua.
A noite cai em crepúsculo e hora marcada, quando o relógio desperta e é tempo de abandonar a tentativa de sonho e os prazeres da letra. Fica então registrado o combate, quando quem vence é o constrangimento do alarme que apita.
O ventilador confronta a cortina; há fúria de tempestade. É uma batalha a decidir quem deve moldar e me entregar vento na cara. A janela vence; dá aos dois tecidos em sua fronte a calma para bailar sem agrestia, com a suavidade de quem massageia o nada. O que é isso aqui em que ponho a mão? É nada puro. Não toco mais do que minhas mãos mesmas, e trago entre os dedos e a palma a substância indigesta dos medos e plenitudes.
A cortina se excita. Num branco de paz, mas fazendo guerra com a porta do banheiro (que agora me guia o vento que vem do basculhante). A cortina infla como balão à gás, ou como a saia da mãe da gente quando o vento surpreende –– lugar bom de entrar embaixo quando se é miúdo, quando o cachorro é um cavalo, e o degrau é precipício. Fecho a porta. A cortina dá trégua.
A noite cai em crepúsculo e hora marcada, quando o relógio desperta e é tempo de abandonar a tentativa de sonho e os prazeres da letra. Fica então registrado o combate, quando quem vence é o constrangimento do alarme que apita.