SOBRE HOMEM, DEUS E INFINITO
Nada é original! Tudo é
alquimia, renascimento em formas tantas, e o eterno retorno. A morte
é a mentira que nos contaram para conter a eternidade. Mas e o
início? E o início? O que havia no início? E antes
do início, o que era? E a relação do zero e um?
Tudo o que existe deve ter existido sempre, e o Absoluto me enlouquece. Ah, há a eternidade…A tragédia humana não é a morte, mas a eternidade: amplidão do não-humano, paisagem do todo.
Matar o ego é um parto às avessas; cola-se o cordão umbilical.
Agora é seis da tarde, paraíso no céu. E eu mataria para saber o que pensa o africano na parede da sala de Dom Pancho. Africana escultura de Rodin, sustenta o queixo com as mãos pretas, como se seus olhos tivessem visto Algo que eu não vi. Eu pisquei o olho e não vi mais. Mas ele viu e seu olhar é vago como Mona Lisa: “Então era isso? Ora, e por que não disseram antes? Por que O Mistério?”. Dali a pouco o vejo caminhando sob o sol eterno da Etiópia, a contar as boas-velhas às velhas boas: Come on, ladies!!! 13 months of sunshine!!!
“Mas, diga-me…e Deus? Existe?”, pergunto sem palavras, quando a resposta não importa nem vem de fora, porque está dentro como caroço verde. Seus olhos, jabuticabas, me ironizam: “Ora, ora, minha pequena. Ainda não encontrastes a resposta óbvia?”.
Eu espero a resposta. O vento invade a janela, e o retrato vacila. Nem sim, nem não. Balança na diagonal da dúvida e cai. A resposta à pergunta-que-não-se-faz se estilhaça no chão sujo. É varrida com vassoura de piaçava - e a poeira se espalha pelo ar.
Eu queria os destroços debaixo do tapete. A resposta que caiu com o vento e se despedaçou, e quebrou em pedacinhos para não ferir a sola do pé (a grande resposta se despedaça para não matar o homem). Minha esperança é ferir a sola do pé e sujar as pontas dos dedos com a tinta da caneta. Minha esperança é colar os pedaços. Meu medo é que a figura quebra-cabeça seja monstro, Minotauro na esquina de Creta. Meu sossego é que o sono alimenta a alma, e o beijo de criança me faz pensar no sol que dorme atrás da casa (e isso já me aquece).
Tudo o que existe deve ter existido sempre, e o Absoluto me enlouquece. Ah, há a eternidade…A tragédia humana não é a morte, mas a eternidade: amplidão do não-humano, paisagem do todo.
Matar o ego é um parto às avessas; cola-se o cordão umbilical.
Agora é seis da tarde, paraíso no céu. E eu mataria para saber o que pensa o africano na parede da sala de Dom Pancho. Africana escultura de Rodin, sustenta o queixo com as mãos pretas, como se seus olhos tivessem visto Algo que eu não vi. Eu pisquei o olho e não vi mais. Mas ele viu e seu olhar é vago como Mona Lisa: “Então era isso? Ora, e por que não disseram antes? Por que O Mistério?”. Dali a pouco o vejo caminhando sob o sol eterno da Etiópia, a contar as boas-velhas às velhas boas: Come on, ladies!!! 13 months of sunshine!!!
“Mas, diga-me…e Deus? Existe?”, pergunto sem palavras, quando a resposta não importa nem vem de fora, porque está dentro como caroço verde. Seus olhos, jabuticabas, me ironizam: “Ora, ora, minha pequena. Ainda não encontrastes a resposta óbvia?”.
Eu espero a resposta. O vento invade a janela, e o retrato vacila. Nem sim, nem não. Balança na diagonal da dúvida e cai. A resposta à pergunta-que-não-se-faz se estilhaça no chão sujo. É varrida com vassoura de piaçava - e a poeira se espalha pelo ar.
Eu queria os destroços debaixo do tapete. A resposta que caiu com o vento e se despedaçou, e quebrou em pedacinhos para não ferir a sola do pé (a grande resposta se despedaça para não matar o homem). Minha esperança é ferir a sola do pé e sujar as pontas dos dedos com a tinta da caneta. Minha esperança é colar os pedaços. Meu medo é que a figura quebra-cabeça seja monstro, Minotauro na esquina de Creta. Meu sossego é que o sono alimenta a alma, e o beijo de criança me faz pensar no sol que dorme atrás da casa (e isso já me aquece).