DA VOZ A NÓS
Não fui eu, não fui eu.
Foi A Voz quem fez,
não fui eu.
A Voz falou
de muros, anjos, e quintais.
Por ela fiz do pano um manto
–– eu, não-santo,
sem choro ou canto
à espera de juízos finais.
A Voz, a nós, ordenou:
“Bordai o mundo,
pintai a vida em linha e cor.
Registrai –– com graça –– o caminho
assim –– quiçá –– contereis a dor”
Eu só fiz seguir
o que A Voz falou.